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Levantar o traseiro

29-May-2005

ANTONIO DONATO MADORNO e RICARDO ZARATTlNI

Causou sensação a afirmação do presidente Lula, há algumas semanas, quando buscou motivar a população a buscar alternativas às altas taxas de juros e tarifas bancárias. O presidente está certo: falta sentimento de luta e permanece um certo conformismo na nossa população em relação à exploração que é vítima pelo sistema bancário.

O contra-exemplo foi dado pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que estabeleceu um acordo com várias empresas para que a conta-salário dos trabalhadores fosse no banco que os isentasse das taxas comumentes cobradas. Sem dúvida, para os baixos salários pagos no Brasil, essa isenção representa ganho salarial muitas vezes equivalente a um reajuste anual. Portanto, vale a pena tirar o traseiro da cadeira e ir à luta.

Dizemos isso aproveitando a oportunidade de que a Prefeitura acaba de anunciar um processo de licitação de suas contas e das contas de seus funcionários.

O objetivo do prefeito é o de fazer caixa, já que até agora não foi apresentado à sociedade qualquer plano de trabalho ou objetivo do atual governo. Da sua boa propaganda na época, eleitoral ("continuar o que Marta faz, fazendo mais e melhor") nada se viu até agora. Temos visto um verdadeiro desmonte de programas de sucesso como os CEUs, a Bolsa Trabalho, o Mova, a suspensão de obrigações das empresas de lixo (como a coleta porta a porta nas favelas e a disponibilização de containeres para o armazenamento do lixo na rua) e até mesmo o Bilhete Único, que dificilmente é encontrado pela população.

No entanto, o objetivo dos funcionários deve ser outro: exigir que nesse processo se ofereça a isenção das taxas bancárias, redução nas taxas de juros de empréstimos pessoais e do cheque especial. Isso implicaria em um aumento da renda dos trabalhadores, especialmente dos que ganham baixos salários e não podem pertencer aos Conselhos das estatais municipais como o fazem os secretários de Serra, que multiplicam seus salários com essa prática - que já propusemos, através de projeto de lei municipal, seja proibida.

O edital de Serra implica na tentativa de transferir para os bancos privados a operação do dinheiro público e dos seus funcionários. Na prática, significa retirar do Banco do Brasil uma soma enorme de recursos e transferi-los a algum dos grandes bancos privados. Mais uma tentativa dos tucanos de agradar aos banqueiros a quem sempre serviram e para os quais criaram o Proer, de triste lembrança. Programa que, aliás, colaborou para engordar a enorme dívida pública dos governos municipais, estaduais e federal.

O Banco do Brasil deveria ser fortalecido, pois hoje, junto com a Caixa Econômica Federal, tem sido o responsável pela popularização das contas bancárias e pela ampliação do crédito popular à taxas de juros mais baixas que a dos bancos privados para a população mais pobre.

Evidentemente que as mesmas exigências que reclamamos para os funcionários deveriam ser cobradas do Banco do Brasil. A CUT e as demais centrais, os sindicatos e associações de funcionários públicos deveria empunhar essa bandeira com vigor nas suas negociações. E isso deveria ser cobrado não apenas do governo municipal, mas também dos governos estaduais e do Governo federal. Enfim, como diz o presidente Lula: tirar o traseiro da cadeira e ir à luta!

Antonio Donato Madorno é vereador (PT/SP)

Ricardo Zarattini é deputado federal (PT/SP)


Fonte: Diário de S. Paulo
Data: 30/maio/2005
Caderno: 1º
Seção: Opinião
Página: A10



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