Repúdio às agressões do sr. Demétrio Magnoli
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo e a Federação Nacional dos Jornalistas vêm a público repudiar texto publicado pelo jornal “Folha de S. Paulo”, em sua edição de 9/3/2010, na página 3, assinado pelo sociólogo Demétrio Magnoli, intitulado “O jornalismo delinquente”. O artigo é um ataque covarde e desqualificado contra dois profissionais da “Folha”, Laura Capriglione e Lucas Ferraz, autores da reportagem “DEM corresponsabiliza negros pela escravidão”, publicado pelo mesmo jornal em 4/3/2010.
O Sindicato dos Jornalistas e a Fenaj condenam esse artigo vil, bem como a direção da “Folha” por publicar um texto com termos ofensivos e inaceitáveis contra seus próprios funcionários! Preocupa a tentativa de setores conservadores e empresariais de coibirem, em um ano eleitoral, o livre e correto exercício do jornalismo. Contra ações como essa, é preciso permanecer vigilante e atuante, em defesa da democracia e do jornalismo independente e de qualidade.
O texto de Magnoli é, pura e simplesmente, uma tentativa de intimidação do trabalho jornalístico sério e apartidário. Em seu curto e agressivo texto, o sr. Magnoli atinge os jornalistas usando palavras e expressões como “delinquente”, “panfleto”, “repórteres engajados”, “repórteres a serviço de uma doutrina”, “jornalismo que abomina os fatos”, “delinquência histórica dos repórteres”, “falsificação”, “manipulação” e “mentira”. Sua única contestação ao conteúdo da reportagem, porém, é o uso da palavra “negros” para se referir às declarações do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) de que “africanos” eram corresponsáveis pela escravidão. A fragilidade da contestação revela-a como um simples pretexto para agressões desmedidas.
O ataque é particularmente descabido pelo simples fato de que os repórteres restringiram seu trabalho a reportar as terríveis declarações do senador. Ao que parece, o sr. Magnoli presta um socorro ao parlamentar do DEM, certamente acuado pela repercussão negativa de suas infelizes palavras.
A serviço de seu amigo senador, o sr. Magnoli afirma: “Demóstenes Torres disse o que está nos registros históricos”. Com isso, desmoraliza-se como sociólogo. Afinal, terá trabalho para provar que a miscigenação no Brasil escravocrata deu-se “de forma muito mais consensual” do que é falado, como sustentou Torres. Que “consenso” pode haver entre uma escrava e seu senhor? Talvez o mesmo que haja entre um torturador e suas vítimas, ou entre a democracia e a “ditabranda”.
O senador e o sr. Magnoli buscam, eles sim, reescrever a história brasileira, apagando os horrores da escravidão e a opressão histórica dos negros em nossa sociedade. Nessa tentativa, patrocinam um feroz ataque ao trabalho correto de dois jornalistas.
Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo e Federação Nacional dos Jornalistas